domingo, 12 de abril de 2009

A melodia da chuva

Todos os dias chuvosos a faziam se transportar para um outro mundo.
Os sons das gotas de chuva batendo nas calhas e janelas, os tons dos ventos, que uivantes passavam cantando pelas frestas da janela fechada, davam ao seu mundo de pensamentos uma trilha sonora que não poderia ser mais propícia.Esta melodia que a embalava suavemente, como o doce ninar do colo de uma mãe ao pequeno e indefeso bebê que nada sabe sobre a vida, sobre as maldades do mundo ou sobre as belezas deste também conseguia ser sombria e gélida como a indiferença daqueles que são incapazes de sentir algo ou de se entregar inteiramente a qualquer ato durante toda uma vida...A melodia era ela, as notas nada mais eram do que a expressão sonora de seus pensamentos.
Em dias como aqueles, ela mergulhava dentro de si e se perdia entre milhões de pensamentos que quase nunca faziam sentido. Hoje, especialmente, ela estava em meio ao incompreensível sentimento da perda. Ela se perguntava como era possível perder alguém que nunca se foi, como era possível que algo morresse e permanecesse ali, existindo como um zumbi. Ele ainda era o mesmo por fora, estava vivo e continuava a cumprir suas responsabilidades diárias, ele andava, falava, comia e dormia, mas parecia incapaz de sentir, como se estivesse morto, congelado por dentro e ela queria gritar, ela queria bater em seu rosto ate que ele acordasse daquele transe sem sentido, ela queria tira-lo daquela prisão de grades invisíveis que o tornava muito menor do que todos pensaram que ele poderia vir a ser, ela queria trazer a vida a parte dele que o tornava único, que o tornava belo, que o tornava..ele. Durante horas a fio ela ficou ali, tentando achar a saída, esperando que algum milagre cientifico, espiritual , religioso, sobrenatural viesse a sua mente, mas nada apareceu.
Exausta e frustrada ela se levantou de sua cama e abriu a janela. Por alguns minutos as gotas da chuva molharam seu rosto quente, por alguns segundos ela pensou em como seria ruim tornar-se fria como aquelas gotas e agradeceu aos céus por ainda sentir...
enquanto chorava por ele.

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